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A engenharia genética A engenharia genética consiste num conjunto de técnicas laboratoriais que permitem manipular o material genético de um organismo, alterando as suas características de forma precisa e controlada. Lista de técnicas: 1. Enzimas de restrição 2. ADN recombinante (rADN) 3. ADN complementar (cADN) 4. Eletroforese em gel 5. PCR 6. Sequenciação de ADN 7. Edição genética (CRISPR-Cas9) 8. Edição genética e bioética 1. Enzimas de restrição • são proteínas que reconhecem sequências específicas de ADN (sítios de restrição) Cada enzima de restrição reconhece apenas um ou alguns sítios de restrição) • São encontradas em bactérias (as enzimas de restrição surgiram provavelmente como um mecanismo de defesa, permitindo que as bactérias cortem o ADN estranho por exemplo, o ADN dos vírus infetantes de bactérias) • realizam um corte preciso no ADN, funcionando como tesouras moleculares. Quando a enzima encontra a sequência alvo, a enzima de restrição faz um corte na dupla hélice da molécula de ADN. Normalmente, o corte é no sítio de restrição ou próximo a ele. • origina extremidades coesivas (“pegajosas”, sticky ends”), o que determina a forma como os fragmentos podem ser ligados posteriormente. Podem também originar um corte perpendicular. 1. Enzimas de restrição • Os fragmentos com corte perpendicular, sem terminações de fita única, podem ser unidos um ao outro pela DNA ligase. No entanto, fragmentos deste tipo são mais difíceis de se ligarem (a reação de ligação é menos eficiente e mais propensa a falhar) porque não há terminações de fita única para manter as moléculas de DNA na posição. • são nomeadas a partir das espécies de procariontes dos quais foram isoladas. Por exemplo, as enzimas isoladas da bactéria Escherichia coli começariam com Eco (como em EcoRI). (já foram isoladas mais de 3000 enzimas de restrição) sequência palindrómica é uma sequência de nucleótidos em que a leitura é a mesma nos dois sentidos 1. Enzimas de restrição • Na replicação de DNA (estudada no 11.o ano), o trabalho das DNA ligases é unir fragmentos de DNA recém sintetizados (okasaki). As ligases usadas na engenharia genética e fazem basicamente a mesma coisa. Se dois segmentos de DNA tiverem terminações complementares, a DNA ligase pode juntá-los . • São usadas para isolar genes de interesse, abrir plasmídeos e preparar o ADN para clonagem ou recombinação, sendo uma etapa fundamental em qualquer processo de engenharia genética. Os plasmídeos são pequenas moléculas de ADN circular, independentes do cromossoma bacteriano, que se encontram naturalmente em muitas bactérias. Têm genes próprios (por exemplo, resistência a antibióticos) e replicam-se autonomamente dentro da célula. Na engenharia genética, os plasmídeos são usados como vetores, isto é, como “transportadores” de um gene de interesse que é inserido no plasmídeo e depois introduzido na bactéria. A célula passa então a multiplicar esse gene e, em muitos casos, a produzir a proteína correspondente (como a insulina humana) 1. Enzimas de restrição Exemplo: construção de um plasmídeo recombinante Suponha que temos um gene alvo, ladeado com sítios de reconhecimento da EcoRI, e um plasmídeo, contendo um único sítio EcoRI: 1. usamos a enzima EcoRI para inserir o gene no plasmídeo. 2. cortamos o fragmento do gene e o plasmídeo com EcoRI. Este passo produz fragmentos com extremidades adesivas. 3. Em seguida, o fragmento de gene e o plasmídeo linearizado (aberto) são combinamos com a DNA ligase. As extremidades adesivas dos dois fragmentos unem-se por pareamento de bases complementares. 4. os fragmentos se tornam um único pedaço de DNA intacto. O gene alvo agora está inserido no plasmídeo, fazendo um plasmídeo recombinante. 1 2 3 4 Tecnologia do DNA recombinante para a produção de insulina humana. 3. O ADN complementar (cADN) • é sintetizado a partir de ARN mensageiro (ARNm) pela ação da transcriptase reversa. • Como o ARNm resulta do processamento do RNA, o cADN contém apenas os exões (genes expressos), sem intrões, o que facilita a sua clonagem em bactérias e a produção de proteínas. • Esta técnica é essencial em estudos de expressão génica, na construção de bibliotecas de cADN e em aplicações biotecnológicas. 4. Eletroforese em gel • é uma técnica usada para separar fragmentos de DNA de acordo com seu tamanho (ou outras macromoléculas, como o RNA e proteínas) . • As amostras de DNA são carregadas nos poços (cavidades) localizados numa das extremidades de um gel, e uma corrente elétrica é aplicada para fazê-las avançar pelo gel. • Os fragmentos DNA estão carregados negativamente, então movem-se na direção do eletrodo positivo. Já que todos os fragmentos de DNA têm a mesma quantidade de carga por massa, os fragmentos menores atravessam o gel mais rapidamente do que os maiores. • Quando um gel é pigmentado com um corante que se liga ao DNA, os fragmentos de DNA podem ser vistos como bandas, cada uma representando um grupo de fragmentos de DNA de mesmo tamanho. 4. Eletroforese em gel 4. Eletroforese em gel Visualização dos fragmentos de DNA Depois que os fragmentos tenham sido separados e o pigmento do gel ter-se ligado ao DNA, este é colocado sob luz UV; os fragmentos de DNA brilham, o que nos permite visualizar o DNA presente em diferentes locais ao longo da extensão do gel. Uma "linha" bem definida de DNA em um gel é chamada de banda. Cada banda contém um grande número de fragmentos de DNA do mesmo tamanho e todos os que viajaram, como um grupo, para a mesma posição. Ao comparar as bandas de uma amostra em relação à escada de DNA, podemos determinar os tamanhos aproximados. Por exemplo, a banda brilhante no gel acima tem, aproximadamente, o tamanho de 700 pares de bases (bp). O bp ao lado de cada número na escada indica quantos pares de base tem no comprimento do fragmento de DNA. 4. Eletroforese em gel • Exemplo: Quatro faixas são numeradas no gel ao lado. A faixa é um corredor através do qual o DNA passa assim que sai de um poço.) Qual faixa corresponde a cada descrição? a) Esta faixa contém o fragmento de DNA mais longo. b) Esta faixa contém o fragmento de DNA mais curto. c) Esta faixa contém um fragmento de DNA de 1500 pares de base (bp). 5. reação em cadeia da polimerase (PCR) • técnica rotineira de laboratório usada para fazer milhões de cópias de uma região específica do DNA. Essa região do DNA pode ser qualquer objeto de interesse do pesquisador. Por exemplo um gene ou um marcador genético usado pelos cientistas forenses para correlacionar o DNA da cena do crime com os suspeitos. • A PCR depende de uma DNA polimerase termoestável, a Taq polimerase, e requer primers de DNA projetados especificamente para a região de interesse do DNA . • Na PCR, a reação é repetida ciclicamente através de uma série de alterações de temperatura, o que possibilita a produção de muitas cópias da região de interesse. Termociclador PCR -Taq polimerase, em homenagem à bactéria resistente ao calor da qual ela foi isolada (Thermus aquaticus). 5. Reação em cadeia de Polimerases (PCR) As etapas (resumidamente): 1.Desnaturação (96°C): Aquece a reação para separar as fitas de DNA. 2.Anelamento (55-65°C): Arrefece a reação para que os primers possam ligar-se às suas sequências complementares no DNA molde de fita simples. 3.Extensão (72°C): Eleva a temperatura da reação para que a Taq polimerase estenda os primers, sintetizando novas fitas de DNA 5. Reação em cadeia de Polimerases (PCR) 5.1 A PCR nas ciências forenses • Suponha que trabalha num laboratório forense. Acabou de receber uma amostra de DNA de um cabelo deixado numa cena de crime, juntamente com amostras de DNA de três possíveis suspeitos. Tem a tarefa de examinar um marcador genético em particular e verificar se algum dos três suspeitos coincide com o DNA do cabelo para esse marcador. • O marcador vem em dois alelos. Um deles contém uma única repetição (região castanha ao lado), enquanto o outro contém duas cópias da repetição. Numa reação PCR com primers que atuam na região de repetição, o primeiro alelo produz um fragmento de DNA de 200 bp, enquanto o segundo produz um fragmento de DNA de 300 bp. • Depois de realizar PCR nas quatro amostras de DNA e visualiza os resultados por eletroforese em gel, como representado ao lado: 5.1. A PCR nas ciências forenses O DNA de qual suspeito coincide com o DNA da cena do crime para o marcador? A) Suspeito 1 B) Suspeito 2 C) Suspeito 3 D) Nenhum dos suspeitos 5.1. A PCR nas ciências forenses (Humanos são diploides, assim haverá duas cópias do marcador que estamos avaliando em cada uma das amostras de DNA). Se uma pessoa tem dois diferentes alelos do marcador (é heterozigótico), duas bandas de diferentes tamanhos (200 pb e 300 pb serão amplificadas durante a PCR. Aparecerão como bandas de DNA dentro do gel nas localizações para 200 pb e 300 pb. O DNA de qual suspeito coincide com o DNA da cena do crime para o marcador? A) Suspeito 1 B) Suspeito 2 C) Suspeito 3 D) Nenhum dos suspeitos •DNA da cena do crime: alelo homozigótico de 200 pb •Suspeito 1: alelo homozigoto de 300 pb •Suspeito 2: heterozigótico •Suspeito 3: alelo homozigótico de 200 pb 6. Sequenciação de ADN • A sequenciação de ADN determina a ordem exata dos nucleótidos (A, T, C, G) numa molécula de ADN. • Permite identificar genes, detetar mutações, comparar genomas e estudar relações evolutivas. • É essencial no diagnóstico de doenças genéticas, na medicina personalizada e na investigação científica, tendo sido uma técnica central em projetos como o Projeto Genoma Humano 7. Edição genética (CRISPR-Cas9) • A edição genética (CRISPR-Cas9) é uma tecno...